27.12.16

Resenha #2: Entre Cobras e Ursos (Cérberus vol. 01)

Série: Cérberus
Autor: Leonardo Monte
Ano: 2011
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira
Páginas: 464
ISBN: 9788576796039
Sinopse: O terror está instituído pela fome, pela doença e pela miséria humana. A esperança como uma vela de pavio curto morrendo aos poucos. Canibais, Calabans, Mordecais, Pashits, Ankh-o-rus, Beliahs, Banshees, licantropos e toda sorte de criaturas que antes só existiam em nossos mais terríveis pesadelos vagam pela Terra indiscriminadamente destruindo, aterrorizando e, às vezes, até convivendo conosco em uma relação de total dominância.
Cidades viraram ruínas, as pessoas voltaram a viver em vilarejos e feudos, sem um poder central, servindo a governantes tiranos e sanguinários que as exploram cada vez mais e mais o medievo voltou a era das trevas flagela novamente a Terra.
A humanidade está a ponto da extinção. Em um ato de desespero, o Vaticano decidiu criar em diversos lugares do mundo as Academias de Caçadores. No Brasil criou-se a Cerberus.
Nesse sombrio lugar, dominado pela fé cega e padres ortodoxos, corredores escuros e úmidos, luz de velas e treinos sangrentos, calabouços e forcas, encontraremos alguns de nossos personagens: crianças doadas em suas primeiras semanas de vida para transformarem-se em caçadores de extra planares. Passarão oito anos de duras provações até sagrarem-se dignos ou perecerão no caminho? Os fracos não servem a Cerberus... Você está preparado?


Nota: 3/5

Resenha:
Eu ganhei esse livro em um sorteio no começo do ano, mas eu não vou lembrar exatamente em qual blog foi, sinto muito. Sei que fiquei muito feliz de ganhar um livro de horror ós-apocaliptico, ainda mais sendo brasileiro.
O material do livro é de boa qualidade e a diagramação, apesar de simples, é boa. Encontrei um ou outro erro de revisão, mas nada muito gritante...E sinceramente, desgostei bastante do fato das folhas serem brancas (cansa muito mais a vista, não é?), mas nada que tenha me impedido de ler.
O livro se inicia com um prefácio escrito por um personagem, o Renan, já adulto, basicamente dizendo que o mundo que nós conhecemos foi para o ralo e que eles estão vivendo em um cenário pós-apocalíptico: caos, guerra, escassez de alimentos e água e o aparecimento de seres sobrenaturais (como bruxas e vampiros) no nosso planeta.
No primeiro capítulo, então, voltamos no tempo e somos apresentados à um Renan de 11 anos e, o que ainda não tinha sido explicado começa a vir à tona: com o apocalipse e o surgimento dessas criaturas, o Vaticano cria algumas escolas pelo mundo, onde crianças são entregues para que estudem e treinem e virem caçadoras, para que o mundo volte ao controle dos seres humanos.
Cérberus é a escola brasileira e onde Renan estuda e mora. Se engana quem pensa que essas crianças teriam um treinamento leve: a meta aqui é sobrevivência da humanidade, então apenas os mais fortes sobrevivem.
Com o passar do livro acompanhamos o dia-a-dia dos personagens, vemos a que disciplinas eles assistem e em que cargo, por assim dizer, eles podem se formar.
Banshee
Eu gostei bastante do livro, da narrativa e do universo que o Leonardo se propôs a criar, tanto que li o livro bem rapidamente. De uma maneira bem grosseira para explicar, o universo seria uma mistura dos filmes Padre e Snow White and The Huntsman, o que de forma alguma fez com que perdesse a qualidade ou me levou a pensar que fosse alguma espécie de cópia...Apenas consegui achar elementos de ambos na narrativa do mesmo.
Mas tiveram algumas coisas que me incomodaram, pra variar. Eu tive a impressão que determinadas informações foram repetidas diversas vezes durante o livro (e aqui eu não vou dizer o que para não dar spoiler), o que tornou a leitura levemente cansativa e houve também um excesso de batalhas, mas pelo lado positivo Leonardo se saiu bem descrevendo-as.
Licantropo
Porém, o que realmente me irritou no livro e que me fez dar três estrelas (seria um livro que facilmente poderia receber quatro) foi a maneira como as mulheres são tratadas no universo. Quer dizer, sim, elas também são treinadas e sim, entendo que é um universo onde o Vaticano manda e que isso significa machismo e soberania masculina, mas num mundo pós-apocaliptico há que se pensar que as pessoas começariam a agir diferente, não é?
Mônica, a única menina do grupo, é Arqueira - coisa que a maior parte das meninas são. Acho que eu vi uma moça lutadora/guerreira...E é claro que mulheres não podem ser sacerdotizas/clériga (mulher não consegue canalizar fé verdadeira, gente????). Mulheres também não podiam participar do torneio entre escolas (que aparece no meio do livro) em outra categoria que não arquearia. As personagens femininas eram superprotegidas pelos homens e a Mônica em questão foi retratada muito bobinha pra alguém que vive nesse cenário, quer dizer, ela estava chorando por uma paixonite, aí um menino (estilo galã mexicano) é gentil com ela e de repente ela troca de paixão e fica suspirando pelos cantos e coisa do gênero. Conseguem entender o que eu quero dizer com o modo como as mulheres foram retradas fica feio? Eu realmente acho que as meninas precisam ter representações femininas fortes e independentes, com menos sindrome de Amélia.
Por essa questão, seria um livro que eu daria uma ou duas estrelas (eu sinceramente não suporto quando montam as personagens femininas assim), mas eu realmente gostei do resto do universo e amei os personagens, além da leitura da obra ser em maior parte bastante eletrizante. É um livro que, de modo geral, eu recomendo...Mas se você também tem esse ressentimento, por assim dizer, com essa insistência em retratar mulheres como sexo frágil, esteja preparado para passar um pouquinho de raiva hehehehe.

"Codadh! Codadh! Codadh!"




13 comentários:

  1. Olá!
    Não conhecia essa obra!
    Apesar da sinopse e suas considerações essa leitura não me atrai e confesso não ter vontade de ler.
    Até a proxima!

    Camila de Moraes - Blog Book Obsession

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  2. Nunca leria um livro como esse e, sim, me parece uma copia barata de filmes americanos misturado com Harry Potter. Típico erro de 90% dos poucos leitores brasileiros que se consideram escritores e imitam elementos estrangeiros. Mas se ele pagou o que cobra o selo novos talentos da literatura brasileira pra publicar, tem dinheiro.

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  3. Oie

    Não conhecia. A história parece ser bem interessante, mas confesso que o fato das mulheres serem tratadas dessa forma pode sim me incomodar um pouco.
    As folhas brancas também me cansam, mas vou levar a dica.
    Sua resenha ficou ótima!

    bjs
    Fernanda Y.

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  4. Oi! Amei a sinopse, leria com certeza! Porém, o que mais me chamou atenção foram suas considerações a respeito das personagens femininas, concordo com tudo, também me inquieta histórias assim e me desanima a leitura.

    Bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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  5. Olá,

    Nunca ouvi falar nesse livro, e sendo sincera não é uma obra que faz meu estilo, nunca curti livros apocalípticos, o único que li foi A Batalha do Labirinto (e amei!). E apesar de sua resenha ter sido muito positiva, o livro não conseguiu atrair minha atenção.
    É uma pena mesma que a obra tenha tratado as mulheres dessa forma, é incrível como coisas assim ainda acontecem nos dias de hoje :/

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com

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  6. Olha, eu não curto esse gênero e de vez em quando alguma obra me interessa, mas infelizmente eu não me atrai por esse livro. Até achei interessante a proposta mas não conseguiria ler.

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  7. Olá, tudo bem?

    Adorei a sinopse e eu não conhecia essa obra. Achei interessante suas considerações sobre as personagens femininas. A história parece ser bem interessante, eu não curto muito obras com folhas brancas, me cansam mais rapidamente.
    Bjus

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  8. Oie Fernanda.
    Eu não conhecia esse livro, talvez por ser um gênero que não me agrade muito.
    E, confesso, que os pontos negativos que levantou me fez desanimar ainda mais. Por agora, não leria.
    Bjo

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  9. Recentemente peguei uma trilogia onde a autora repetia muitas frases. Acabei ficando com raiva. Isso desmotiva a sequência, parece que ficamos lendo a mesma coisa sem sair do lugar.
    Bjs

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  10. OOi!
    apesar de amar distopias, o livro não me atraiu, e saber que o machismo está muito presente me desanima ainda mais, já vi que eu me irritaria também. Não sei se leria.
    Ah, parabéns pela resenha e sinceridade que colocou nela.
    Beijoos

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  11. Oi, tudo bem?
    Essa coisa de horror pós apocalíptico sinceramente não me atrai, por isso o livro não me chama atenção.
    Bjs

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  12. Oi! Tudo bem?
    Não conhecia o livro, adorei sua resenha, mas esse não é tipo de gênero que costumo ler, nem para matar a curiosidade! Dessa vez passo a dica! Parabéns pelo post! Bjoo

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  13. aah, que pena a mulher representada por estes estereótipos... :(
    eu tbm desanimaria com uma leitura assim... até que curti a premissa mas esse fator me deixou com pé atrás...bjs...

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