21.1.17

Resenha #7: Colega de Quarto

Subtítulo: E se seu maior pesadelo ganhasse vida?
Autor: Victor Bonini
Páginas: 280
Ano: 2015
Editora: Faro Editorial
Sinopse:Eric Schatz, carioca que se mudou para São Paulo por conta do curso universitário, começa a perceber indícios de que há mais alguém frequentando o seu apartamento.
Primeiro, um par de chinelos.
Então, uma outra escova de dentes. Um micro-ondas que é ligado sozinho durante a noite, barulhos estranhos a qualquer hora e luzes que se apagam de modo misterioso.
Até que, em determinada noite, Eric enxerga o vulto do colega de quarto entrar em seu apartamento pela porta da frente.
Desesperado, o rapaz vai atrás de um detetive particular, mas parece ser tarde demais. Em menos de 24 horas, tudo acontece de modo acelerado e depois de uma ligação desesperada, cortada abruptamente, Eric despenca da janela do seu apartamento.
Em seu livro de estreia, o autor nos apresenta uma história urbana de tirar o fôlego. Um mistério que passa por uma relação familiar complicada, suspeitas por todos os lados, e camadas e camadas de culpados. Há alguém inocente?


Resenha:
A qualidade da revisão e diagramação da Faro está indiscutível. Não encontrei nenhum erro de revisão e as páginas não amareladas e possuem um tamanho de fonte confortável de ler. Além disso, tomou-se cuidado na diagramação para que a mesma parecesse sombria, o que é completamente condizente com o livro, que é dividido em três partes: Loucura, Turvo e Lucidez.
Eric é um carioca que foi estudar em São Paulo e é um típico playboy: só usa roupas de marca, namora uma menina que parece uma modelo, acha que dinheiro compra tudo e vive sozinho num apartamento bem bom, sustentado pelos pais, onde ele tem uma empregada e "estuda" direito.
Então ele começa a perceber coisas estranhas em seu apartamento: uma escova de dente que não era sua, descargas no meio da madrugada, luzes piscando e micro-ondas funcionando sozinho. Ele fica apavorado e começa a achar que está louco, então decide contratar um detetive particular, Conrado Bardelli. Só que ele aparece no escritório do advogado e detetive no meio da madrugada, agitado, agressivo, sem falar coisa com coisa e ainda por cima tenta fazer com que o advogado aceite o caso dele porque ele pode pagar "em dinheiro vivo". Bordelli fica com nojo dessa atitude do playboy e o dispensa... Só que uns dias depois Eric aparece morto. Suicídio, diz a polícia, uma vez que ele morava sozinho e se jogou de uma janela. Só que, será que foi suicídio mesmo?


"Nenhuma das testemunhas até agora apontara o rapaz como um desequilibrado ou alguém capaz de tomar decisões extremas de uma hora para outra - portanto, alguém pouco propício ao suicídio repentino."

Eu enrolei bastante pra ler esse livro, pois eu achei que ele ia focar muuuito mais no susto de ter um colega de quarto do que de fato foca... E como moramos eu e meu gato apenas, deu um medinho. No capítulo 7 ou 8 Eric já não estava mais vivo e o livro tem mais de 80 capítulos. Entende minha desilusão? 


"- Sei. E agora o senhor está ouvindo vozes? – Conrado arriscou, percebendo, ao som de sua própria fala, quão absurda era sua suposição.
- Não, não vozes. Barulhos. Barulhos pelo apartamento, mas também não é só isso. Venho reparando em sinais que supostamente provam que tem mais alguém no apartamento além de mim. Sinais para me deixar louco, só pode ser. Pistas de que tenho um companheiro com quem divido o apartamento."

Porém, de um possível livro sobrenatural, Bonini tirou um livro policial muito bom, especialmente por causa de nosso querido detetive particular, Bardelli, que sem dúvida é pra mim o ponto alto da trama. Ele é um personagem inteligente, cheio de recursos e que tem a capacidade de perceber pequenos detalhes que passaram despercebidos de todo mundo. Aí a gente se vê de volta em algo sobrenatural).

Todos os personagens são muito bem construídos e completamente humanos: cheios de defeitos e qualidades e motivações. Nenhum, nem o porteiro, a empregada ou o síndico parecem simplesmente pincelados, entende? Bonini realmente se dedicou à criação deles.


“– Sempre encarei o suicídio como um desvio de personalidade. Pessoas fracas é que desistem de tudo."

Além disso, a trama toda é bem amarrada e sem pontas soltas e o final é cheio de reviravoltas e me surpreendeu bastante. Eu nunca esperaria que a resposta fosse igual ao que ocorreu nos últimos capítulos.
A leitura é completamente envolvente e fluída e você não quer desgrudar do livro um segundo sequer! É uma mistura de thriller psicológico, mistério policial e sobrenatural não apenas convincente como muito cativante.



Um comentário:

  1. Primeira vez que ouço falar nesse livro e na editora e já quero saber mais sobre. ESSA SINOPSE É MUUUITO ATRATIVA! Ele vende digital?

    http://obaucultural.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Ficamos muito felizes com seu comentário :)